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Entrevista com Renato Mello (Violência infantil)


Quando Marisa Mello conheceu Renato, seu nome era Gilmar. Teve seus dentes arrancados com chave de fenda em brasa , seu abdômen aberto a pontapés, a orelha e língua cortados com tesoura , estava com catarata pela inserção de tantas coisas em seus olhos e havia tido duas rupturas do abdômen a pontapés. Tudo que sofreu vinha foi por parte da sua genitora.


 Hoje, adotado legalmente por Marisa, Renato é palestrante contra a violência infantil dentro e fora do país.


Durante a entrevista o termo Genitora significa aquela que o gerou, e quando usa o termo mãe, está se referindo a Marisa Mello.


Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que a genitora de Renato já cumpriu pena e hoje desfruta de liberdade assistida.


@FujaCrente: Iniciar a entrevista da forma que vou começar, por mais que seja constrangedor para mim, não tenho como fazer diferente, pois a glória e o poder do Senhor serão notórios ao final e servirá como um alerta sobre o assunto "Violência Infantil". Sei que o perdão foi liberado e vamos perguntar sobre isso um pouco mais à frente, mas como se sente ao tocar nesses assuntos?


RENATO MELLO: Em primeiro lugar quero agradecer ao nosso Senhor e Salvador por me honrar em poder compartilhar um pouco do que nosso Pai Celestial tem realizado em minha vida neste espaço da Galera Radical. Respondendo sua pergunta, tenho claro em meu coração que não somente meu nome mudou, realmente recebi uma nova oportunidade de vida e sei que isto não é comum. É como se eu falasse de coisas que ocorreram ao Gilmar que não sou eu. Meu testemunho é uma arma contra o inferno e os milagres que o Senhor realizou em mim é a demonstração de que Ele realmente está vivo e deseja continuar transformando vidas! Este é meu chamado.


@FujaCrente: Não há como entender as coisas que sua genitora fez com você. Por mais que a traição do seu genitor tenha sido algo traumático para ela, não justifica tais atitudes. A maneira que ela achou para punir seu genitor, foi maltratar você - o filho que ele sempre desejou ter... Você sofreu essa violência familiar a partir dos 4 meses de idade. Onde estava seu genitor durante esse tempo?


RENATO MELLO: Sempre digo que existem dois tipos de violência, uma é por "omissão", a pessoa tem consciência do que faz. Ocorre que a violência mais cometida no mundo é praticada pela "omissão" onde vemos o mal ocorrer e não fazemos nada. Assim agiu meu Genitor; era muito mais confortável para ele, que saía cedo para o trabalho e voltava tarde, acreditar que todas minhas feridas eram causadas por mim mesmo. Ele queria crêr que realmente eu sofria muitas quedas. Meu Genitor omitiu-se em meu socorro, na verdade esta é uma de minhas maiores lutas, conscientizar que precisamos agir contra a omissão.


@FujaCrente: Quando você, machucado por uma das agressões, não conseguiu torcer uma calça jeans ao lavar, teve o braço quebrado por ela. O que ela elegou no hospital? Consegue lembrar?


RENATO MELLO: Minha Genitora dizia que eu havia caído. Eu me lembro de ouvir que caí da escada, da cadeira, até de uma lage! Imagine. Jamais questionaram o relato dela, mesmo quando dei entrada no mesmo hospital fraturado pela 14ª vez ! Como eu disse, a omissão é algo terrível, sempre lembro de que o primeiro da lista a não entrar no Reino de nosso Pai Celestial são os "covardes" em Apocalipse 21:8, as pessoas realmente tem medo de envolverem-se no socorro de outras, mesmo quando se trata no caso de uma criança, como eu era naquele momento.


@FujaCrente: Quantos irmãos você tinha, na época?


RENATO MELLO: Já tinha minhas duas irmãs biológicas mais velhas que eu, e meu irmão biológico que é mais novo. Eles assistiam e muitas vezes participavam de minhas torturas, era um lar doentio e diabólico, com rotinas tenebrosas.


@FujaCrente: Aos 12 anos de idade, por causa de uma denúncia, você finalmente saiu de casa e passou por três lares de menores. Como foi o seu contato com as outras crianças nessa época, tendo em vista que você tinha sequelas das agressões? 


RENATO MELLO: Eu estava totalmente deformado, já é difícil aceitar uma criança que sofre rejeição familiar não ser descriminada, quanto mais uma criança torturada e deformada. Eu tinha tantas fraturas em meu corpo que não haviam sido tratadas , inclusive em minha face. Não tinha lábios, dentes superiores, tinha catarata nos dois olhos, uma ligação bucal-nasal, sem língua eu não podia sequer falar de modo que compreendessem. Não tinha uma vida escolar comum, me colocavam apelidos, riam de mim, tornei-me uma pessoa revoltada e desconfiava de todos. Sofri discriminações e outros tipos de rejeições neste período. O pior é quando eu via que realmente minhas desconfianças tinham fundamento. Infelizmente nestes três abrigos em que estive, as pessoas estavam ali por interesses pessoais e não somente eu, mas muitos internos sofriam maus tratos por parte de educadores e diretores também. 


@FujaCrente: Com 14 anos, você conheceu a Marisa Mello e o Ministério Parábola. Em que circunstâncias se deu esse encontro? 


RENATO MELLO: Aprendi cedo a me levantar contra a injustiça, deste modo eu denunciei violências, agressões que testemunhei e vivi no primeiro e segundo abrigo que estive. O terceiro abrigo não sentia-se confortável com minha presença. A alegação era que eu completaria 14 anos e minha idade era inadequada para o abrigo. Ocorre que um abrigo conta para outro o histórico de seus internos, e todos os abrigos onde solicitaram que eu fosse internado negavam-me vaga por temer que eu pudesse realizar alguma denúncia. Foi quando eu soube sobre a vaga oferecida pela Parábola e conheci minha mãe Marisa, nosso primeiro encontro foi em uma visita que fiz. Eu desconfiei de minha mãe e da Parábola como de todos os outros abrigos em que estive, meu coração estava fechado e endurecido, eu não sabia o que era ser amado ou querido por ninguém.


@FujaCrente: Você foi acolhido pela Marisa Mello, e inserido num ambiente de amor. Como você entendia essa nova realidade, uma vez que nunca havia vivenciado esse tipo de relacionamento?


RENATO MELLO: Minha mãe sempre diz que não foi ela quem me escolheu, foi o Senhor que falou com ela primeiro! Ele a ensinou a me amar, e pode acreditar que não foi fácil. Eu achava que ela fazia as coisas por interesse pessoal, ou qualquer motivo. Todos na casa a chamavam de mãe, isto para mim era insuportável porque "mãe" era tipo " bicho papão" na minha ótica da época. Eu sei que minha mãe teve muito amor e dedicação para que eu cresse e aceitasse o amor dela, sei que nosso Senhor faz o mesmo com cada um de nós, se conseguirmos ver a expressão de Amor dEle, será tremendo como em minha vida isto foi e  é milagoso!


@FujaCrente: Quem era Deus nessa época pra você?


RENATO MELLO: Deus era a pessoa que não ouvia meus gritos de socorro! É até absurdo eu relembrar como eu O via, mas é verdade. Demorou muito para que eu compreendesse que Ele não era Autor de minhas feridas e nem Omisso a elas. Para que o Senhor possa nos socorrer também precisamos fazer nossa parte e eu não tinha forças para deter o mal que sofri. Eu tinha um medo imobilizador e culpava ao Senhor por isto. Hoje eu conheço o caráter do Senhor e confio nEle de um modo pleno, mas naquela época eu precisava ser apresentado à Ele e foi o que minha mãe fez por mim... É o que procuro hoje fazer pelos outros.


@FujaCrente: Você passou por várias cirurgias para reparar os danos causados pela violência que sofreu. Conte-nos um pouco dessa fase...


RENATO MELLO: Minha mãe não me adotou somente em minha cura, mas em minhas feridas também, ela havia sofrido violências terríveis dentro de sua casa, espancamentos e abuso sexual e compartilhava comigo de um modo que eu me identificava com ela. Me impressionava como ela amava ao Senhor e foi ela quem me disse que eu seria curado não somente por dentro, mas por fora embora a medicina não me desse esperanças. Foram 19 cirurgias somente em minha face, sempre ao abrir meus olhos depois de horas sob anestesia geral eu podia sentir a Presença de meu Senhor e ver minha mãe ao meu lado! Não conheço até hoje as pessoas que doaram recursos para minhas cirurgias que foram no hospital Albert Einstain. Eu não sou somente o maior caso de vitimização com sobrevivência da América Latina, mas a pessoa que recebeu imensos milagres de nosso Pai Celestial !


@FujaCrente: As feridas de uma pessoa que sofre esse tipo de agressão, vão muito além do físico. As emoções ficam dilaceradas pela violência... Que fato específico deu início à cura de suas emoções?


RENATO MELLO: Minhas emoções continuam sendo curadas à cada dia! Sempre descobrimos que temos mais para melhorar quando andamos ao lado de nosso Mestre e Salvador. Embora minhas feridas fossem evidentes por fora, meu coração estava irremediavelmente destroçado. Minha mãe foi muito usada em minha vida, pois o modo que o Senhor a tratara, e eu podia ver os resultados, me faziam ter o desejo de entrega total à Ele. Quando eu a via em seu relacionamento com o Senhor como Pai, compreendia que não seria mais difícil para mim permitir que Ele tratasse de minhas emoções de um modo pleno. Fui sendo curado do medo, do ódio, da desconfiança, do mal e da morte, uma coisa de cada vez. O Senhor ainda trata de mim, Ele é paciente, tenho aprendido a ser também !


@FujaCrente: Como foi seu encontro pessoal com Jesus?


RENATO MELLO: Foi em um dia de muita revolta! Eu não acreditava que minha mãe poderia ser de verdade. Para mim aquilo tudo era uma representação! Se minha Genitora que me gerou, me odiava, como aquela mulher que nunca tinha me visto até meus 14 anos poderia dizer que me amava? Ah, tinha de ter alguma coisa por trás de toda "aquela armação". Naquele dia eu a provoquei muito mesmo, acreditava que ela perderia a paciência comigo e mandaria embora como em outros abrigos, mas ela realmente me amava. Eu disse coisas duras para ela, até que ela reagiu, minha mãe é de carne e osso como todos nós... Só que a reação dela não foi de me calar, me repreender, eu jamais conseguirei descrever o que vi nos olhos dela naquele dia, a palavra mais próxima que tenho é "compaixão". Ela me disse que sabia minha dor mesmo eu não crendo e se para eu crêr fosse necessário desfigurá-la, então ela estava disposta. Ela queria minhas marcas nela, todas elas. Sei que era verdadeiro o que ela dizia! Aquilo me impactou. Percebi que ela não ligava para aparência ou o que fosse, desde que eu fosse curado! Ali compreendi o que nosso Salvador fez, vendo o que minha mãe estava fazendo. Ali eu vi que Ele estava vivo e falando por meio de minha mãe comigo... Me rendi à Ele incondicionalmente, ganhei minha mãe na terra e um Pai no céu, naquele momento descobri que somos a única bíblia que este mundo pode ler por meio de nossas ações!


@FujaCrente: Após um tempo, trabalhando no Parábola, você teve a chance de se encontrar novamente com sua Genitora. Como foi esse encontro? 


RENATO MELLO: Minha mãe havia ministrado sobre perdão não somente em minha vida, mas na vida de todos meus irmãos que eram 29; 27 de nós éramos adotivos. Minha mãe não só ministrava a Palavra, ela vivia isto, recebia em casa pessoas que haviam feito mal para ela no passado e conseguia ser usada pelo Senhor para mudar estas vidas. Sempre minha mãe dizia que o ódio e a vingança, nosso sistema de "justiça" só faz mal para nós mesmos, é um peso que não conseguimos carregar. Eu sabia que minha mãe era uma pessoa livre e eu queria isto em mim também. Descobri que minha Genitora havia saído da cadeia, ninguém gosta de dar emprego à ex-presidiários. Meus irmãos biológicos estavam passando necessidades. Eu já estava com meu rosto completamente mudado por cirurgias plásticas. Levei uma cesta básica para eles. Não me reconheceram, meu nome mudara, mas eu mudara muito mais. Quando disse à eles que meu nome antes de ser Renato com minha adoção havia sido Gilmar, vi o terror que invadiu minha Genitora, mas eu disse à ela que se acalmassem, jamais estaria ali para me vingar de ninguém. Era importante para mim que eles soubessem que eu os perdoara realmente. Compartilhei da Verdade que há em Cristo, isto me fez um bem enorme! 


@FujaCrente: Acreditamos que o perdão não significa perder a memória, mas diluir a mágoa, a raiva e o ressentimento lançando sobre Cristo as nossas dores. Mas pra você, que viveu essa experiência tão dolorosa, qual o significado da palavra perdoar?


RENATO MELLO: Perdão se aprende na prática, não há como explicar isto. É uma ação do Espírito Santo que invade nossas almas e nos demonstra que não podemos ser o juizo do Criador nas vidas, que somente Ele mesmo sabe do que são feitas. O perdão nos demonstra o quanto somos dependentes da graça divina, o quanto somos impotentes diante de nossos agressores e se deixarmos que o ódio nos domine poderemos nos tornar muito pior que eles. Eu não esqueci o que me aconteceu, nem tem como eu esquecer, trago no meu corpo as marcas de minha cura! O perdão faz parte do caráter de meu Pai Celestial e nada melhor para um filho do que seguir o que o Pai realmente é. Este é um dos modos que temos de demonstrar que realmente O amamos, se seguirmos seus mandamentos que não são mandamentos apenas, são exemplos de vida. Perdão se vive. Recentemente, dia 9 de fevereiro, perdemos de um modo trágico meu irmão, Marco Antonio. Ele era o único filho homem gerado por minha mãe. Foi morto após sair do trabalho. A dor que sentimos, eu, minha mãe, meus irmãos todos, não temos como descrever para vocês aqui. Embora eu tenha sofrido tantas coisas, a dor desta perda é incomparável. Não há como superarmos nesta vida, mas perdoamos realmente nossos agressores. Existe a justiça aplicada pela lei dos homens, mas a  maior vingança do Reino do Céu contra o Reino das trevas, é RESGATAR ALMAS! Alguém que o adversário tenha usado e que recebe a Cristo como Senhor e Salvador é totalmente transformado. Foi o único conforto que encontramos e o Senhor nos agraciou com esta experiência em meio a tragédia da perda! Deixo um vídeo sobre meu irmão de uma homenagem que fizemos para ele há um ano atrás, no final acrescentamos uma entrevista recente que ele deu: 





BATE BOLA COM RENATO MELLO


Um lugar: SÃO BERNARDO DO CAMPO
Uma viagem:  RIO DE JANEIRO
Um texto bíblico: II Cronicas 16:9 Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dEle
Futebol: PALMEIRAS- (mas sede Santos!)
A Bíblia: CARTA DE AMOR DE NOSSO PAI CELESTIAL PARA NÓS
Uma comida: MACARRÃO!!!
Uma bebida: COCA-COLA (ainda serei liberto, rs)
Saúde: HÁ UM MÉDICO DOS MÉDICOS SEMPRE PRESENTE
Vidas: CAMPOS DE ESPERANÇA
Jesus: Meu irmão, meu maior amigo, YESHUA, Era, É e Há de vir- MARANATA!
Família: PRESENTE NESTE TEMPO E NA ETERNIDADE 
Amigos: Todos pelos quais "dedico minha vida" 
Marisa Mello: Minha mãe , a face de Cristo para minha vida
Igreja: Cada pessoa que ame ao Senhor verdadeiramente é um templo
Música: Paul Wilbour
Internet: www.parabola.com.br


@FujaCrente: Nosso site é voltado para jovens e adolescentes. Deixe uma mensagem para a galera:


RENATO MELLO: Todos do Galera, sejam fortes! vocês não estão sozinhos, embora (algumas vezes) possam sentirem-se assim. Coloco-me à disposição se precisarem de algo, não desistam! Existem muitos sofrendo as mesmas aflições de vocês e sempre há saída de um problema , por mais difícil que pareça. Não estamos órfãos, eu sou a prova viva disto! Há muito mais para aprendermos em nossas vidas do que para lamentarmos! Fiquem na paz de nosso Pai Celestial!!! Também coloco-me à disposição para palestras e aproveito a oportunidade para apresentar à vocês meu livro: "ESCOLHAS- Dirigem seu presente, Redigem seu futuro"- CONTATO parabola@parabola.com.br , mais uma vez obrigado.

Um comentário:

  1. Renato, ja estive em uma palestra sua e me impactei bastante com sua história de vida,perto de você ninguém fez nem um mal pra m im, mas tenho dificuldade em perdoá-los, e pior se perdôo acabo jogando na cara a todo instante, o que vc me acoselheraria para perdoar de verdade?

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